O que são as Emoções?

Todos os dias falamos sobre nossas emoções — medo, alegria, tristeza, ira, nojo, entre tantas outras. É relativamente fácil reconhecer quando alguém está em um acesso de pânico, tomado pela fúria ou quando uma criança faz birra. Mas surge então a grande questão: afinal, como acontecem as nossas emoções?

As nossas emoções sempre são provocadas, ou seja, para acontecer a emoção é necessário ter um acontecimento na realidade que tenha uma função para uma pessoa que a afete emocionalmente. A emoção é desencadeada por uma ocorrência que é um “gatilho” que gera a afetação emocional. As emoções acontecem porque há no mundo, objetos, pessoas, situações que são emocionadoras.

Toda emoção é desencadeada por um gatilho.

Qualquer emoção é reativa, mas pode ser regular ou psicopatológica.

Uma emoção regular é um acontecimento isolado, devido a um episódio isolado, que não acontece sempre. Tomemos como exemplo de emoção regular, você estar dirigindo e quase atropela uma pessoa. No momento você pode ficar com taquicardia, sudorese, tremor no corpo, mas, quando você nota que a situação está sob controle os sintomas desaparecem. Neste caso a emoção é proporcional ao fenômeno desencadeador, você quase atropelou uma pessoa. Outro exemplo, é estarmos andando numa rua e vem um ladrão e aponta uma arma. Essa ocorrência gera medo, pânico, algumas pessoas ficam paralisadas, outras tentam correr, mas é regular nos emocionarmos.  

Na emoção psicopatológica, os sintomas não são proporcionais ao fenômeno desencadeador, e a afetação decorre de situações materiais, históricas do passado, onde ocorreu a ameaça. Por exemplo, uma pessoa não consegue dirigir, muito embora, ela saiba dirigir e esteja numa rua tranquila, sem trânsito. A dificuldade de dirigir é em função de um acidente em que ela esteve envolvida no passado. Neste caso, ao invés da pessoa conseguir se relacionar com o carro na situação atual, a rua tranquila, ocorre uma relação psicológica com o acidente do passado e ela não consegue ter tranquilidade de lidar com a situação do presente. A emoção psicopatológica pode ser compreendida como um aprisionamento do sujeito em experiências passadas.

A emoção é um fenômeno universal/ singular: universal porque a emoção pertence a um universo, a um conjunto, cabe numa mesma definição. Uma alegria ou uma tristeza é igual para todos. Singular porque a alegria de uma pessoa não é igual a alegria de outra e a tristeza de uma pessoa, não é igual a tristeza de outra pessoa. Um sujeito não é igual ao outro.

O fato de uma emoção ser singular para cada pessoa, faz com que, no processo psicoterapêutico seja necessário verificar a função que uma determinada emoção tem para a personalidade que está sendo trabalhada. 

“O homem é um ser em situação”. Para compreender o que acontece emocionalmente com uma pessoa temos que ver em qual a situação ela está, e como ela está nessa situação.

O mundo é um só, mas se organiza de maneira diferente para as pessoas, então a organização do mundo é uma para quem tem medo de elevador, de lugares fechados e outra para quem não tem. As possibilidades materiais e concretas são vividas de forma diferente conforme o medo que a pessoa tem. Uma pessoa que tem medo de altura, provavelmente não anda de avião, não sobe numa roda gigante, não entra num elevador panorâmico. A emoção é uma forma de lidar com o mundo.

Claudia Holetz
Psicóloga – CRP 12/00567

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