Desenvolvimento da Personalidade

Na Física, entende-se que um fenômeno é formado por vários acontecimentos que se influenciam entre si. Esses elementos estão conectados e criam um conjunto em movimento. Esse conjunto muda o tempo todo, porque os acontecimentos se transformam, se contradizem e se reorganizam. Por isso, a ciência estuda o fenômeno como um processo em constante evolução.

A personalidade pode ser compreendida como um fenômeno: um conjunto de acontecimentos articulados que apresentam certa regularidade e implicações funcionais.

Primeiro a criança nasce e depois por um processo de relações com o seu corpo, com os outros, com as coisas ela vai formando sua personalidade. Ninguém já nasce tímido, extrovertido, inseguro ou confiante — essas características são construídas ao longo da vida. A forma como a personalidade se estrutura depende das condições materiais que tem, das oportunidades ou dificuldades que enfrenta e de como lida com tudo isso.

Na primeira etapa do desenvolvimento da personalidade, a criança vive no plano social. Ela recebe um nome, uma identidade, e os limites vêm de fora. Nesse momento, a criança age livremente, está solta, cumpre ordens e tarefas sem pensar muito sobre si mesma.

Durante esse processo, ela passa por experiências boas e ruins, e as formas de mediação que recebe são essenciais para ajudá-la a entender essas situações.

Com o tempo, ao se relacionar com outras pessoas e com o mundo, a criança vai formando o seu Ego, ou seja, o seu Eu. Ela começa a se perceber como um “eu diante dos outros” e desenvolve a alteridade — a consciência de que o outro existe e que há uma relação com ele.

Quando constrói esse ego e essa relação eu-outro, a criança ganha a capacidade de atuar em níveis além do social ou institucional, indo além de apenas obedecer ou brincar.

Na adolescência, o jovem chega a um momento decisivo. Ele precisa escolher o que fará com aquilo que recebeu na sua formação. É nessa fase que começa a tomar decisões importantes — como profissão, relacionamentos, casamento, filhos e outras escolhas que definem seu lugar no mundo.

Ao sair do plano social e se tornar sociológico, o adolescente começa a ser sujeito de si mesmo — é o chamado “nascimento existencial”. Isso significa transformar o que fizeram dele em algo próprio, escolhendo quem deseja ser. Assim, ele passa a construir suas possibilidades no mundo sem ficar preso apenas ao que os outros esperam dele.

É importante lembrar que cada etapa da vida se conecta à anterior e prepara a seguinte.

Podemos definir que o motor de uma personalidade é o Desejo de ser e o Desejo de ser só é possível no tecido sociológico – passa sempre pela nossa relação com os outros e com as coisas. O Desejo de ser, se forma progressivamente ao longo da infância e parte da adolescência através de uma infinidade de relações interpessoais. Ninguém nasce com um desejo de ser pai, mãe, psicólogo, médico, arquiteto, dentista, nutricionista, mas nasce no seio de um sociológico familiar onde as ações que a criança e o jovem fazem na direção do ser que ele deseja ser são qualificadas e no jogo de qualificações e experiências de atração ela vai ganhando segurança de quem quer ser e se escolhe.

O modo como as famílias qualificam a criança, o jovem, a forma como vamos construindo e nos envolvendo com o nosso sociológico familiar e com as coisas, consolidam o nosso emocional e a construção de uma personalidade segura.   

Claudia Holetz
Psicóloga – CRP 12/00567

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