O avanço tecnológico das últimas décadas transformou profundamente as formas de interação social, especialmente entre adolescentes. As redes sociais e as ferramentas de inteligência artificial (IA) tornaram-se parte integrante da vida cotidiana, oferecendo entretenimento, informação e novas possibilidades de comunicação. Contudo, o uso excessivo dessas tecnologias tem gerado preocupações quanto ao desenvolvimento de comportamentos compulsivos e à diminuição da socialização presencial.
Percebe-se hoje, a diminuição dos contatos presenciais entre adolescentes, há relatos de jovens com fobia social, irritabilidade, ansiedade, dispersão, insônia, automutilação, provenientes do uso excessivo de redes sociais e focados em curtidas, comentários e compartilhamentos. Esses processos favorecem a criação de hábitos compulsivos, levando adolescentes a permanecerem conectados por longos períodos. Paralelamente, a interação com sistemas de IA — como chatbots e assistentes virtuais — pode reforçar a dependência tecnológica, oferecendo respostas rápidas e personalizadas que substituem, em parte, o contato humano. O resultado é uma relação de dependência que compromete o equilíbrio entre vida digital, vida social e vida emocional.
O uso excessivo de tecnologias digitais tem entre as principais consequências:
-Isolamento social: redução de tempo em interações presenciais com familiares e amigos;
-Solidão: acontece quando a pessoa não sente que pertence ao seu grupo familiar ou social.
-Vazio existencial;
-Dificuldades em desenvolver empatia, reciprocidade, resolução de conflitos;
-Prejuízos acadêmicos e profissionais: queda no desempenho escolar e laboral;
-Hiper conexão: vicia e gera problemas de socialização;
-Conflitos familiares: conflitos familiares relacionados ao tempo excessivo de telas;
Essas consequências revelam que o vício digital não se limita ao campo tecnológico, mas afeta dimensões fundamentais da vida social e emocional dos adolescentes.
O vício em redes sociais e inteligência artificial entre adolescentes representa um desafio contemporâneo que transcende o campo tecnológico, atingindo aspectos sociais, emocionais e educacionais.
Recentemente, atendi uma jovem de cerca de 20 anos que não conseguia se sentir tranquila para usar biquíni ou maiô e ir à praia. Ela antecipava os julgamentos das colegas e amigas, pensando nos elogios ou críticas que receberia ao postar suas fotos em rede social. Esse comportamento acabou prejudicando sua socialização, teve um aumento na ansiedade e a insegurança gerou dificuldades para relacionamentos amorosos.
A falta de socialização decorrente desse fenômeno compromete o desenvolvimento integral dos jovens, exigindo ações conjuntas de famílias, escolas e sociedade. O equilíbrio entre o uso consciente da tecnologia e a valorização das interações humanas é fundamental para garantir segurança emocional e uma formação saudável e sustentável das novas gerações.
Não deixe de conhecer: Crianças, adolescentes e telas Guia sobre usos de dispositivos digitais. “este Guia que o Governo Federal apresenta é uma resposta aos anseios da sociedade brasileira e, ao mesmo tempo, um passo importante para a construção de um ambiente digital mais saudável para as crianças e adolescentes brasileiros”.
Confira o Guia sobre Usos de Dispositivos Digitais do governo federal.
Claudia Holetz
Psicóloga – CRP 12/00567